segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Poeta de Dias Gomes


Olá Pessoal;

Hoje comecei a pesquisar para a criação do figurino da personagem Dedé Cospe-Rima, o poeta, escritor de folhetos de cordel, que circula entre os personagens da peça, recitando e vendendo seus versos. Dedé é para mim uma das figuras mais interessantes que surge na trama, porque traz em si a representação do artista popular brasileiro. Que utópicamente sempre acredita que pode mudar o mundo com o conteúdo de sua arte. O artista que além de criar tem que vender, e para isso se utiliza de todo jogo de cintura que possui: recita, ameaça, insiste, esbraveja e por fim acaba trocando sua tão divina obra por algo que no mínino mate a sua fome. Vejam nesses dois trechos abaixo, falas de Dedé, sobre a sua obra:

"...não é por me gabar, meu camarada, mas aqui como me vê, poeta pela graça da Virgem e do Senhor do Bomfim, eu sou um homem temído! Quando eu anuncio que vou escrever um folheto contando as bandalheiras desse ou daquele deputado...ah, menino não tarda o fulano me procurar pra adoçar meus versos..."

"(...)quem perde é o senhor, o senhor e a poesia nacional!

(Dedé Cospe-Rima - "O Pagador de Promessas", de Dias Gomes)


Na procura por referências para a Dedé, descobri que a personagem criada por Dias Gomes, tem inspiração no poeta Cuica de Santo Amaro, cordelista de Salvador que escrevia sobre o cotidiano da população baiana e viveu até a morte, em 1964, da venda de seus cordéis. Quem faz essa relação e Mark J. Curran, na publicação "Cuica de Santo Amaro: Controvérsia no Cordel". Vale a pena conhecer mais sobre a poesia de Cuica..

Até mais;

Carol Ribeiro

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